<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057049830282672076</id><updated>2011-12-26T07:53:58.317-08:00</updated><title type='text'>leia se tiver tempo</title><subtitle type='html'>Reflexões sobre coisas, pessoas e atitudes: minhas e do que me cerca.

Aqui, você encontra sutilezas do que vejo, ouço ou digo. Nem sempre vale a pena saber, mas passar o olho sobre as frases para melhor entender meu mundo.

Seja bruta como pedra ou leve como penugem, a ideia é brisa e vendaval - desde que possa merecer ser tocante.

Quando sobrar um tempo, visite.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Romulo Osthues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03081288008152750744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S4A9V_9OIAI/AAAAAAAAAhU/0gkDc8XFYyw/S220/Romulo+da+F%C3%A9.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>4</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057049830282672076.post-6111085791319678041</id><published>2010-03-07T07:36:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T11:43:46.043-08:00</updated><title type='text'>Antes ou depois? Durante!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S5PHPbTJOeI/AAAAAAAAAkc/v2YCiVE7INA/s1600-h/rafa+e+arthurno+caminho.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S5PHPbTJOeI/AAAAAAAAAkc/v2YCiVE7INA/s320/rafa+e+arthurno+caminho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tenho um bolo de pelos se enovelando no estômago. Sabe quando a gente tem um desafio pela frente e tudo o que pode acontecer não depende só de nós? O que fazer? Estou em um projeto novo na empresa onde trabalho que será tocado essencialmente por mim. Tenho de pensar em tudo de cabo a rabo, dar conta de tudo de rabo a cabo, ser um bombril. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É angustiante saber que as coisas tomam um tempo para se realizarem. A gente sempre quer ver o resultado, ver o depois. O durante pouco importa. Mas tenho exercitado isso em mim. É vendo no caminho - e só no caminho há pedras ou atalhos - o que há de mais gostoso. O aprendizado acontece no durante, não no depois. Não posso esperar que eu tenha aprendido algo no final de todas as contas - o saldo é passível de dúvidas. As memórias são traiçoeiras. Muitas vezes, depois de porres ou açoites, elas nem existem mais. Por isso, minha meta tem sido: menos úlceras e mais cicatrizes na minha história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você consegue lembrar, exatamente, qual a dor que sentia quando arrancavam-lhe os dentes-de-leite? Estou aqui vasculhando em meus arquivos e nada acontece. Só lembro do sabor ácido de sangue jorrando na boca e dos dentes atirados sobre o telhado para que os novos crescessem com saúde. Eu cantava: "ratinho, ratão, eu te dou este dente e você me dá um bem grandão". Hoje, tenho todos eles na boca - certo que alguns já com argamassas. E só tenho as lembranças boas porque alguém (meu pai, minha mãe, meus irmãos) me disse que eu tinha de passar por aquilo para cumprir um objetivo. Já naquele momento, eu procurava entender o valor do processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei, por exemplo, de viajar para algum lugar sofrendo antecipadamente por causa da volta; sofrendo porque o tempo passaria tão rápido e eu já retornaria para a rotina. Agora, eu chego a algum lugar pensando nos instantes que viverei e procuro a salubridade que só tem quem saboreia a bala sem mordê-la antes do fim. Recomendo lembrar das balas Soft (no seu formato antigo) para saber sobre o que estou falando, pois eram tão saborosas quanto perigosas, como é tudo o que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sessões de terapia e boas doses de experiência me fazem acreditar nisso que quero compartilhar com você, sobre o que já sabe ou ouviu falar: o mais importante é o caminho. Tenho posto em prática e tenho aprendido. Vale cada angústia amenizada. E toda angústia amenizada é uma dor a menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------&lt;br /&gt;Na foto, meu sobrinho Raphael e o primo-sobrinho Arthur caminhando em direção ao gol: ver os jogadores do Cruzeiro treinando na Toca da Raposa, Belo Horizonte, MG, em outubro de 2009. Será que perceberam o que havia de importante entre eles no caminho? Eu percebi e fiz a foto. Eles terão para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057049830282672076-6111085791319678041?l=leiasetivertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/feeds/6111085791319678041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2010/03/antes-ou-depois-durante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/6111085791319678041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/6111085791319678041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2010/03/antes-ou-depois-durante.html' title='Antes ou depois? Durante!'/><author><name>Romulo Osthues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03081288008152750744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S4A9V_9OIAI/AAAAAAAAAhU/0gkDc8XFYyw/S220/Romulo+da+F%C3%A9.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S5PHPbTJOeI/AAAAAAAAAkc/v2YCiVE7INA/s72-c/rafa+e+arthurno+caminho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057049830282672076.post-4712069524165253654</id><published>2009-08-23T07:36:00.000-07:00</published><updated>2009-08-23T14:54:35.404-07:00</updated><title type='text'>A morte de Pitty, meu cachorro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/SpFp7c0LYAI/AAAAAAAAAIk/oAJL7VN7k1A/s1600-h/pittypbmwe.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/SpFp7c0LYAI/AAAAAAAAAIk/oAJL7VN7k1A/s200/pittypbmwe.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373192300497952770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"A cachorra Baleia estava para morrer. (...) Uma noite de inverno, gelada e nevoenta, cercava a criaturinha. Silêncio completo, nenhum sinal de vida nos arredores. (...) Baleia respirava depressa, a boca aberta, os queixos desgovernados, a língua pendente e insensível. (...) A tremura subia, deixava a barriga e chegava ao peito de Baleia. Do peito para trás era tudo insensibilidade e esquecimento. Mas o resto do corpo se arrepiava, espinhos de mandacaru penetravam na carne meio comida pela doença. Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. (...) Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima, uma alusão ao que por 15 anos temi. A morte de meu cachorro Pitty. Lembro-me de que, quando li esse trecho do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, pela primeira vez, fiquei muito emocionado, lacrimejante ao imaginar a morte de meu próprio cachorro e surrealizar uma imagem para quando Pitty se fosse. Enfim, ele partiu há pouco, fugindo de casa por um portão que não conseguíamos trancar e que sempre está aberto para todos - sejam gatos, cachorros, periquitos e gente -, que é o portão da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase um mês depois, hoje, consigo escrever algo sobre ele, sobre a despedida que não tive, sobre sua ausência daqui para frente. Talvez, você não compreenda uma só palavra disto aqui, mas saberá que é meu modo de purgar sua perda ao lembrar do que ele gostava ou não de fazer pelas bandas de onde vivíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero, justamente, pensar que sua morte tenha sido tão bela quanto a de Baleia, com dores literárias e incertezas poéticas. Não por uma hidrofobia ou bala na carne - como a de Baleia -, mas por um suposto câncer nas tripas. Pitty sucumbiu ao corpo velho, arqueado e gordo, de olhos desatentos pela catarata que já enuviava não só o prato de comida à sua frente, mas também os estalares de dedos nossos que lhe despertavam o ânimo e os sorrisos que o faziam balançar o rabicó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do sofrimento, nem as poderosas lágrimas de minha feiticeira mãe impediram a partida. Pitty quis dormir, como Baleia quis. Acordou num mundo cheio de pratos de carne moída transbordante, carnes puras, sem nervos, umedecidas por um sangue temperadamente ácido e delicioso, gostoso de lamber até o fim e ouvir o alumínio do recipiente ranger no chão. Lá, as carnes moídas são servidas em fartura, sem qualquer regra, portanto seu estômago de alguns mililitros é que dita a fome e a hora de parar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um mundo sem crianças barulhentas, sem portas e pés-de-cadeiras irritantes, sem vassouras para lhe causarem arrepios. É um mundo sem coleiras, grades ou portões para evitar sua fuga. Nas ruas do novo bairro, ele agora corre solto por entre pneus milimetricamente arranjados no asfalto. Neles, seu pipi derrama jatos de urina com um componente nítrico chamado "território de Pitty".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não está marcando território, comendo ou correndo atrás de gatos desconhecidos, Pitty vai para a academia. É, na verdade, um grande galpão onde garrafas PET aguardam por serem recicladas. Sem hesitar, qual não é seu prazer em derrubar as pilhas de garrafas só para ouvir aquele sonzinho semioco delas caindo no chão. E brincar de escorregar sobre as garrafas, mordendo-as vorazmente, grunhindo, tentando destruí-las com seus caninos dilacerantes sem que ninguém lhe obrigue a parar por conta do barulho que sua brincadeira faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta para seu lar novo, Pitty passa pelo muro onde mora Xandó - gato parceiro que, entre outras coisas, era seu consolo sexual quando ambos viviam - para trocar uma ideia sobre o dia e falar da saudade de quem ficou na velha casa da Boca do Rio, onde compartilharam dos melhores almoços, das impiedosas longas horas de espera por todos que viajavam ou das gatinhas e cadelinhas da vizinhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do bate-papo entre amigos, é hora de descansar para mais uma rotina de prazeres caninos num paraíso que nunca terá fim. Embora não tenha levado consigo a grande almofada vermelha onde dormia em minha casa, ele tem agora um colchonete branco como nuvem para deitar o corpo café. Pesado, escorrega um pouco as gorduras, conforta os ossos entre as envergarduras da espuma do colchão, deita-se sobre as duas patas da frente nas quais descansa o focinho e escorre as longas orelhas sujas de terra e comida. Antes de, costumeiramente, roncar e peidar durante o sono, pensa: "que sejam abençoados, em todos esses dias santos, meus entes que deixei, minha carne moída de cada dia, e os banhos que aqui não preciso tomar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AUmém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057049830282672076-4712069524165253654?l=leiasetivertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/feeds/4712069524165253654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2009/08/morte-de-pitty-meu-cachorro.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/4712069524165253654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/4712069524165253654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2009/08/morte-de-pitty-meu-cachorro.html' title='A morte de Pitty, meu cachorro'/><author><name>Romulo Osthues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03081288008152750744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S4A9V_9OIAI/AAAAAAAAAhU/0gkDc8XFYyw/S220/Romulo+da+F%C3%A9.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/SpFp7c0LYAI/AAAAAAAAAIk/oAJL7VN7k1A/s72-c/pittypbmwe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057049830282672076.post-7218356737279116884</id><published>2009-03-14T19:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-14T19:23:07.467-07:00</updated><title type='text'>O que me sobrará</title><content type='html'>“No final da vida, o que sobra? O amor”. Com essa frase, meu amigo Guilherme Mota preencheu o intervalo entre um gole de cerveja e outro. Falávamos não me recordo exatamente sobre o quê, mas tenho a sensação de que era sobre dinheiro, posses, experiências e o valor que aplicamos às coisas. Lembro dele falando sobre os idosos que, em seus momentos derradeiros, especialmente os ainda não-viúvos, valorizam seu bem de maior grandeza: um amor gotejante e intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela frase me tocou de maneira tal a ponto de eriçar a pele e cair, profundamente, numa reflexão instantânea, daquelas que nos arrebatam para sei-lá-onde. Por alguns pedaços de minuto, revirei da memória quais amores posso valorizar hoje para não deixar que, no futuro, as sinapses mais preguiçosas da velhice me impeçam de desfrutar deles. Sou capaz de amar um gesto, um objeto, animais e, mais ainda, gente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho no peito as letras guardadas dos amores que têm nome, categorizados em suas instâncias, como a família, os amigos, os bichos e os amados em devir. Basta acessar aos poucos as pastas na caixola para sentir a efervescência deles. Minhas orações estão sempre em torno de pensar nos que amo e protegê-los de perto ou de longe. Ainda que eu não tenha presença, ciência ou potência o bastante para mobilizá-los, sou um “oniamante” de carteirinha – assinada com impressões digitais, menos suscetíveis a fraudes como minha rubrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com essa vontade de amar sem medida que procuro alguém (da categoria “amados em devir”) para estar ao lado e fazer caminhos áridos ou frutíferos. Sim, choro em casamentos, comédias e dramas românticos, e até lendo livros de histórias nas quais o amor é vencedor. Assumidamente dramático e sonhador, ando nas ruas a verificar se quem disputa comigo corredores e calçadas tem o que é necessário para compartilhar anos de amor a fio, com carretéis de linha intermináveis e boas alfinetadas por vezes necessárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero, como uma criança, borbulhar com canudo um refrigerante para arrancar sorrisos ou olhares de reprovação. Quero entregar bilhetes com poemas fresquinhos sobre a cama tórrida ou com pedidos de desculpas pelas traquinagens que fiz. Quero me perder em mim, com olhos distantes, e, se questionado com insistência, revelar que estava gozando o silêncio entre nós dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vai ser fácil, mas enfrento o desafio diário da conquista, da descoberta e da angústia de pensar se terá fim. Já amei muitas vezes, amarei outras mais como se fosse a única – destaco o “como se fosse” – porque vi que é bom e me viciei. Se até mesmo uma amiga minha que pregava só existir um amor na vida mudou de ideia, por que eu não daria cabo de amar de novo? Eu, que cheguei a pensar em me casar de tênis All Star e sair montado numa Vespa italiana, mesmo odiando motocicletas, não deixarei de apostar na dúvida de poder destilar meu amor fabricado com as melhores essências que possuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, minha postura a ratificar: valorizar constantemente os amores do passado, do presente e os que terei, pois, seguindo o que me alertou Guilherme, serão eles o que me sobrará afinal. E sinto que preciso de fartura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057049830282672076-7218356737279116884?l=leiasetivertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/feeds/7218356737279116884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2009/03/o-que-me-sobrara.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/7218356737279116884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/7218356737279116884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2009/03/o-que-me-sobrara.html' title='O que me sobrará'/><author><name>Romulo Osthues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03081288008152750744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S4A9V_9OIAI/AAAAAAAAAhU/0gkDc8XFYyw/S220/Romulo+da+F%C3%A9.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5057049830282672076.post-3433660843079903248</id><published>2009-03-11T21:12:00.000-07:00</published><updated>2009-03-14T20:27:30.362-07:00</updated><title type='text'>Movimento de um sem-tempo</title><content type='html'>Faz alguns anos, não sei o que é manejar meu tempo direito. Consulto os relógios, repetidamente, para checar quando devo entregar as matérias para meus editores, fazer as contas da casa, o momento exato de entrar na aula da academia, em que instante ligar para meus pais, responder e-mails dos amigos, ler um trecho de um livro, as notícias do dia... faço tudo isso contadinho, minuto a minuto, para não me atrasar. É uma rotina que me cativa, me agrilhoa como um velho marujo preso em uma praia em que as pedras afundam navios. Eu estou lá no fundo, quase esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 25, tenho receio de perder a vicissitude da época em que tudo poderia ser mais espontâneo, menos vicioso e mais perene. Ao passo que a areia escorrega na ampulheta, percebo minhas experiências perdidas naquilo que não mais posso recuperar e é tão evanescente quanto um incenso: minha vida. Sou escravo do tempo, que me prende num pelourinho e chicoteia, deixando chagas na pele e cerceando minhas memórias. Nem meditação consigo fazer porque minha ansiedade tem a ver com o futuro. Sou faminto pelo instante-próximo – e me sinto insaciável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevo, pergunto-me até onde (e quando) quero (ou posso) ir com isto aqui. Olho no canto do monitor para checar se é hora de dormir ou se tenho mais alguns minutos para me prolongar na experiência deliciosa de redigir sem compromisso. Porém faltam seis horas para eu me levantar e driblar o sono que acumulo diariamente. Então, lembro do maior símbolo de descompromisso que tenho perto de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala do apartamento onde moro, existe um relógio de parede emperrado há quase dois anos. São sempre 4h10m42s. Não adianta trocar as pilhas, nem levar para o conserto. Nem o quero fazê-lo, assim como meus amigos que o compartilham – e moram – comigo. Talvez tenhamos um desejo inconsciente de que, enquanto estivermos em casa, só haja movimento lá fora, só haja caos no entorno e que perdure tranquilidade entre nossos metros quadrados de lar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comum varrer o apartamento em busca de objetos que revelem as frações de tempo e, instintivamente, olhar para o tal do relógio que quem nos visita julga não ter utilidade e questiona “para que esse relógio parado?”. Para que os ponteiros, invariavelmente no mesmo lugar, aliviem-me com um quase gozo ao me dizer que nada mudou, nada se perdeu entre os milésimos atrás e o agora. E é nesse intervalo que me vem à cabeça a máxima de Raduan Nassar, em seu livro Lavoura Arcaica: “O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, gostaria de fundar um movimento para unir os que se alimentam do tempo e desejam saboreá-lo vagarosamente. Topa? Siga um conselho de quem não sabe lidar com ele, mas, pelo menos, vem tentando. Garimpe um relógio, evite as pilhas e registre nos ponteiros o seu melhor instante do dia, aquele que será alarme silencioso para suas pequenas fugas de rotina. O relógio, certamente, revelará quantos segundos ainda faltam para você se dar conta do que está por vir: os gritos de seu miálgico coração, vívidos e incoerentes como os reflexos na paisagem de uma alma cujo corpo o tempo não poupa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5057049830282672076-3433660843079903248?l=leiasetivertempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/feeds/3433660843079903248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2009/03/movimento-de-um-sem-tempo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/3433660843079903248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5057049830282672076/posts/default/3433660843079903248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://leiasetivertempo.blogspot.com/2009/03/movimento-de-um-sem-tempo.html' title='Movimento de um sem-tempo'/><author><name>Romulo Osthues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03081288008152750744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/_bIIGPNOjxvY/S4A9V_9OIAI/AAAAAAAAAhU/0gkDc8XFYyw/S220/Romulo+da+F%C3%A9.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
